“A experiência é um constante trafegar na ilusão, a repetida consecução de um entrejogo, tendo de um lado a criatividade; do outro, o que o mundo tem a oferecer.”
Podemos dizer que toda a experiência se produz, pois, nesse entrecruzamento do mundo subjetivo e do mundo objetivo que virá a construir, ao longo do tempo, o espaço potencial. Winnicott nos diz:
- O lugar no qual a experiência cultural está alocada é o espaço potencial, entre o indivíduo e o meio ambiente (originalmente, o objeto). O mesmo pode se dizer do brincar. A experiência cultural começa com o viver criativo, manifesto no brincar.
- Para cada indivíduo, o uso desse espaço é determinado pelas experiências de vida que acontecem nos estágios primeiros da existência individual.
- Desde o início, o bebê tem experiências maximamente intensas no espaço potencial, entre o objeto subjetivo e o objeto objetivamente percebido, entre as extensões do eu e o não-eu. Esse espaço potencial situa-se na interação lúdica entre o “não existir nada além de mim” e o “existir objetos e fenômenos fora do meu controle onipotente”.
- Cada bebê tem aí a sua experiência própria, favorável ou desfavorável. A dependência é máxima. O espaço potencial acontece em relação ao sentimento de confiança por parte do bebê, quer dizer, confiança relacionada à condição de dependência da figura da mãe ou de elementos ambientais, a confiança sendo a evidência de que a condição de dependência está sendo introjetada.
– Alfredo Naffah Neto, Veredas psicanalíticas – À sombra de Winnicott
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